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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
04/07/2010-08h58
São Paulo enfrenta superlotação em abrigos para cães;
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RICARDO WESTIN
DE SÃO PAULO
Não cabe nem mais uma pulga. Por São Paulo afora, na capital e nas cidades do interior, os abrigos de prefeituras e ONGs para cães abandonados estão abarrotados. O problema começou dois anos atrás, quando uma inovadora lei estadual proibiu as prefeituras de sacrificarem os cachorros capturados pelas carrocinhas.
No começo, os defensores dos animais vibraram com o fim da matança. Logo, entretanto, deram-se conta de um grave efeito colateral. Impedidas de matar os cachorros de rua, as prefeituras ficaram com seus canis cheios e simplesmente pararam de recolhê-los. Os bichos, reproduzindo-se com relativa rapidez, proliferaram pelas cidades.
Como resultado, as entidades de defesa animal passaram resgatar muito mais cães abandonados, atropelados e maltratados.
CÃO NO TELHADO
A Associação Protetora dos Animais de Sorocaba, por exemplo, que nunca abrigou mais de 80 cães e gatos, hoje cuida de 210.
Na zona sul de São Paulo, o Quintal de São Francisco está prestes a fechar as portas porque o dinheiro doado não acompanhou o crescimento dos cachorros e as dívidas ficaram insustentáveis.
Na ONG Ajudanimal, de Ribeirão Pires, é mais comum ver cães nos telhados do que dentro das casinhas de madeira. Só assim podem respirar um pouco de ar fresco, um andar acima da aglomeração de patas e focinhos.
A entidade tem capacidade para cem cachorros, mas abriga o dobro. "Os animais estão estressados e brigam por qualquer coisinha", explica a diretora Maria Cecília Bentini, por telefone, com incansáveis latidos ao fundo.
videorreportagem THIAGO BRIZOLA
LEI DESCUMPRIDA
A superpopulação de animais é agravada porque as prefeituras, na avalição das ONGs, não estão cumprindo integralmente a lei de 2008.
Olharam apenas o artigo que bane o sacrifício de cães de rua e ignoraram os determina castrações em massa (para evitar a reprodução dos animais de rua), campanhas educativas (para evitar que famílias os abandonem) e feiras de adoção (para esvaziar os canis municipais).
"É claro que parar de matar foi um avanço. Mas, se a reprodução, os abandonos e os canis abarrotados continuam, a população mantém o crescimento e vira uma coisa insana", diz Beatriz Schuler, presidente do Instituto Vidadigna, de Bauru.
Para Vanice Orlandi, presidente da Uipa (União Internacional Protetora
dos Animais), as prefeituras "têm um profundo descaso pela vid do
animal": "É aquela visão ultrapassada de que eles não
passam de receptáculos de doenças".
